Tenho como convicção que tudo que temos que ficar repetindo, reafirmando, é porque de alguma forma não estamos convencendo. Sempre que ouço alguém falando " Porque eu vou fazer isso", "Eu vou fazer aquilo", Eu serei assim"... e fica repetindo. Automaticamente meu cérebro processa estas informações com receio. Tipo promessa de politico, sabe? Claro sempre há exceções, não sou extremista, não levo isso ao pé da letra, mas existe alguns perfis específicos de pessoas que me levam a ter este tipo de receio.
Uma categoria que me deixa assim é jogador de futebol. Hoje em dia é moda, o cara chega no clube, fala que foi sempre o sonho da vida dele, que ele na verdade na infância torcia pro clube, promete títulos, raça, gols, defesas, etc.. Porem ninguém é otário, sabemos que isso e quase automático, ou foi dica do empresário.
O Grêmio porem tem um diferencial que é quase unanimidade, todo jogador que chega fala em jogar com raça, em dar carinho, que vai dar o sangue em campo, porque aqui é assim, porque aqui a torcida gosta do carrinho e não do balãozinho. Não sou contra a isso, pelo contrário por característica histórica realmente o nosso futebol é mais pegado, muito provavelmente pela influencia castelhana, porem quando se torna algo clichê me preocupa.
É como a história da copa do mundo, que começou com o Ivo Wortmann no Grêmio. Ele falou que o Gauchão para o Grêmio é copa do mundo. Na semana seguinte estavam todos os jogadores falando a mesma coisa, automático, Grêmio World Champions.
Sei que a motivação é importante no esporte, em qualquer um, independente do salario (Que por si só já teria que motivar muito), mas a motivação afeta a parte psicológica, e se faz fundamental para o desportista. Porem creio que ela deva ficar dentro do grupo, para cada atleta, por um motivo muito simples, raça por exemplo agente entrega, não fala, entrar em campo como se fosse final de campeonato é uma motivação, um sentimento, não um discurso.
Peguei como exemplo esta história da tal "Copa do Mundo Tricolor", pois é algo recente, que leio e ouço quase todos os dias, mas não é só isso, não é de hoje, a muito tempo ouço os jogadores prometendo muito e entregando pouco. Pela situação atual do Grêmio, gostaria que os jogadores prometessem menos, afinal eles não são políticos, e entregassem mais. Que entrassem realmente em campo com o sangue nos olhos, motivados, querendo ganhar do Avenida no próximo domingo como se fosse a ultima rodada da fase de grupos da Champions Legue e valendo classificação. Mas que para isso eles não precisem ficar afirmando a todo momento.
Assisti ontem pela 15° vez, o filme Invictus, que conta história do titulo mundial conquistado pela Africa do Sul na copa do mundo de Rugby de 1995, em meio a revolução politica que o pais sofria, os primeiros anos do mandato de Mandela, e o quanto o esporte ajudou a reerguer uma nação, a unificar uma paixão. O capitão do time sul-africano François Piennar, utilizou a historia de Mandela, a história de sofrimento que as pessoas passaram pelo o Apartheid, e ate o hino do país como motivação, como um combustível para levar um time a glória. O detalhe principal é que eles não precisaram falar para imprensa ou para torcida que estavam fazendo isso, apenas entraram em campo e entregaram.
Que nossos desportistas sejam assim, que o jogadores do Grêmio sejam assim, que entreguem, não prometam. Ou como diz o Muricy Ramalho, "Aqui é trabalho", ou velho e bom jargão popular, "Baixem a cabeça e trabalhem".
Da-lhe Grêmio
Ass: Retranqueiro

Nenhum comentário:
Postar um comentário